Do Planeta Sénior…

 

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Massagem ao Senhor Valente

15. Massagem ao Senhor Valente (28.12.2016).jpg

O Natal é bom quando todos estão cá. E chorou. Como uma criança desprotegida. As lágrimas de uma pessoa velha são mais fortes e profundas porque levam a dor de fora para dentro. Se a minha mulher estivesse cá, por estes dias íamos ao Bolhão buscar os frutos secos. Sabe, a nossa padeira sempre diz que morre o corpo e a alma fica na companhia de quem ama enquanto a memória durar. O senhor Valente falava com a voz tão terna e suave.

Por Susana Cunha

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Outros Mundos

14-outros-mundos-07-12-2016

Em Ohio, nos estados Unidos, existe um local especial chamado “The Lantern of Chagrin Valley”, foi projectado especificamente para pessoas com Alzheimer. Simula um bairro americano da década de 40, com casas, relvados, candeeiros e outro tipo de mobiliário da época. A intenção do local é criar um ambiente personalizado e interactivo para os idosos com doença de Alzheimer. Procura-se através deste ambiente reduzir a ansiedade, raiva e depressão entre os moradores. O local também tem uma série de efeitos sonoros, como cantos de pássaros e outros sons da natureza que tornam o ambiente mais calmo e sereno.

Ainda podemos continuar a sonhar…

Por Carla Pacheco, Directora Técnica da Good4life

Vida profissional e familiar – Boas práticas para empresas

13. Vida profissional e familiar (05-10-2016).jpg

São cada vez mais as empresas que se preocupam com a vida pessoal dos seus colaboradores e que mantêm as portas abertas para os ajudar a enfrentar as situações preocupantes do dia-a-dia. O filho que tem de ir buscar à escola muito cedo, a mãe que está hospitalizada e precisa de cuidados especializados quando voltar para casa. Enfim, há toda uma panóplia de situações que atravessam as nossas vidas familiares e que nos impedem de estarmos concentrados no trabalho.

Por Carla Pacheco, Diretora Técnica da Good4life

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Fome

capa FOME

Foram cerca de quinze anos a ouvir sempre a mesma ladainha à mesa – Quem não é para
comer, não é para trabalhar.
O meu pai reformou-se aos trinta e três e passou a coleccionar cristos e outras antiguidades. Eu fui gerado sete anos depois. Sempre o vi a trabalhar, a arrastar móveis
como quem nos diz que mais importante do que uma palavra meiga ou até um toque
silencioso é a força, o movimento que nos levará à boca o alimento. Segundo a minha mãe,
houve um tempo, antes do mundo existir para mim, em que esse escasseou. O meu pai
devia estar certo, sobretudo quando repetia a cantiga – Quem não é para comer…
Hoje, ele não trabalha mais. Reformou-se uma segunda vez porque perdeu o apetite. A
natureza serviu-lhe uma demência que lhe tem vindo a comer as faculdades mentais.
O meu pai nunca vai ler este texto. Ele não sabe que a Flanzine existe. Muitas das vezes não
sabe mesmo quem eu sou. Se ele não tivesse perdido o apetite perguntar-me-ia à bruta: e
isso dá-te de comer?

Por, João Pedro Azul – Flanzine #6 – FOME